10 Abril 2012

Sobre a ausência e nada

"Madrugada, nessa hora em que todas as coisas fazem sentido, você atravessa a cidade e decide entrar em um clube de stripper. Todas as cervejas da noite parecem bater de uma única vez, mas você não imagina que está prestes a ter um diálogo complicado. Você senta, recebe algumas cervejas e fica observando o ambiente, até ser abordado por uma mulher, que senta ao seu lado e o abraça. Elas sempre começam com perguntas simples:
- O que faz aqui? Você parece triste!
- Não sei, estou triste por ser triste.
- Não tem um motivo?
- A vida é um pouco babaca, já deveria estar acostumado.
- Veio aqui para reclamar da vida? Olha para mim, olha o ambiente em que trabalho!
- Todos fazemos escolhas, as que trouxeram você até aqui eu não sei, mas acredito que não foram fáceis.
- Acredito muito em Deus, isso ajuda a levar minha vida.
- Não acredito em Deus.
- Como pode você não acreditar em Deus? Sempre vou a igreja, rezo muito por mim e pelo meu filho!
- Acreditar em Deus ou não acreditar nele não torna ninguém mais ou menos cretino. Não sabia que você tinha um filho, qual a idade dele?
- Tem apenas 6 anos, está com a avó, toda noite que venho trabalhar sinto um nó no peito, às vezes choro muito sabe, mas preciso do dinheiro. Acho que você precisa ir a igreja, precisa rezar mais, assim deixará essa tristeza.
- Ir a igreja não muda as coisas, você leva uma vida cheia de extremos. Tem seu filho, tem seu trabalho e precisa ir a igreja para buscar uma salvação, mas você não precisa ser salva, você está salva, tudo que faz pelo bem de seu filho não pode ser desprezado, sua salvação não é o céu, seu declínio não é o inferno, sua alma não irá para lugar algum, não existe o certo ou o errado e eu estou bêbado para dar conselhos, você tem bem mais vida que eu.
Ela quase chora, dá um abraço e lembra do seu manual, volta ao automático:
- Você poderia me pagar um drink?
- Não, sou contra o sistema dos drinks, se quiser sair comigo, pago um drink a você em qualquer lugar fora daqui.
- É coisa da casa!
- Não concordo, lá fora pago.
- Se um dia encontrá-lo lá fora irei cobrar por isso. Sabe, às vezes é como se eu olhasse para o lado e não tivesse nem a solidão para me fazer companhia.
Ela levanta-se, vai em busca do próximo cliente, dá um beijo em meu rosto e desaparece."

31 Julho 2011

Frases do que ando lendo

Um dia, David Nicholls

"Não, esta era a vida real, e era normal não se sentir mais tão curiosa ou apaixonada como no passado. Aos trinta e oito anos, seria inapropriado, indigno, ter amizades ou casos de amor com o mesmo entusiasmo e a intensidade de uma garota de vinte e dois. Apaixonar-se daquele jeito? Escrever poemas, chorar ouvindo uma música pop? Arrastar pessoas para dentro de cabines fotográficas, levar um dia inteiro para gravar uma seleção de músicas numa fita, perguntar às pessoas se queriam dormir com ela só para fazer companhia? Se hoje em dia você citasse Bob Dylan, T.S. Eliot ou, Deus me livre, Brecht para alguém, a resposta seria um sorriso formal e um passo atrás, e quem poderia culpá-los? Ridículo, aos trinta e oito anos, esperar que uma canção, um livro ou filme mudem a sua vida. Não, tudo agora estava assentado e estabelecido, e a vida era levada num clima geral de conforto, satisfação e familiaridade. Não haveria mais enervantes altos e baixos. Os amigos de agora eram os amigos que teriam em cinco, dez, vinte anos. Não tinham esperança de se tornar muito mais ricos ou pobres, só queriam continuar saudáveis por algum tempo ainda. Encontravam-se na média: classe média, meia-idade, felizes com a felicidade possível."

""O que você vai fazer com sua vida?" De uma forma ou de outra, parecia que as pessoas estavam sempre fazendo aquela pergunta - os professores, os pais, os amigos às três da manhã -, mas a questão nunca tinha sido tão premente, e ela estava longe de obter uma resposta. O futuro se estendia à sua frente, uma sucessão de dias vazios, cada um mais desanimador e incompreensível que o outro. Como iria preencher todos eles?"

01 Julho 2011

Meu Azar ou Sobre o Transporte Coletivo de Curitiba

São três imagens, de três dias diferentes, mas todas desse ano. A primeira é a mais recente, tem 4 dias. O ligeirinho parou no meio da rápida, soltando muita fumaça. Levou um certo tempo até que todos pudessem sair do ônibus e chegar ao outro lado da rua.
A segunda foto tem alguns meses, outra vez era um ligeirinho. Não sei exatamente o que aconteceu, mas saiu muita fumaça, as pessoas, principalmente as que estavam sentadas na traseira, entraram em desespero e começaram a empurrar umas as outras até conseguir descer.
A última ainda é a que mais deixa impressionado, um biarticulado perdido no meio da fumaça. Essa é do começo desse ano, não tenho certeza da data. Outra vez a fumaça, pessoas em pânico e muita correria para descer.
Esse é o transporte coletivo de Curitiba, o melhor do país. Fazem tanto alarde do maior ônibus, da quantidade de novos ônibus, do tipo de combustível utilizado. Estamos distantes dessa propaganda da Prefeitura, qualquer pessoa que utiliza diariamente o transporte coletivo de Curitiba sabe disso. Isso aconteceu comigo 3 vezes apenas nesse ano, não sou tão azarado assim. Depois ainda dizem que esses ônibus passam por manutenção, que são seguros. Sei.

27 Junho 2011

Links

Apenas para dividir um link com um texto muito interessante sobre daltonismo:


E aqui um pequeno video que exemplifica um pouco a questão do daltonismo.

12 Junho 2011

Verdes

Na última quinta-feira estava ajudando na organização de um evento no trabalho e lá também estavam várias crianças participando da semana do meio ambiente, criando objetos com materiais reciclados, isso é um clássico da semana do meio ambiente.

Depois de um tempo as crianças descobriram que eu era daltônico, pronto, ficaram no meu pé por muito tempo. Descobri que é universal, ao descobrir um daltônico até as crianças começam a perguntar a cor de todas as coisas ao redor. Outra coisa interessante foi explicar o que é o daltonismo para crianças que até aquele momento não sabiam que existem pessoas que enxergam determinadas cores e não conseguem ver outras.

As crianças queriam que eu falasse a cor de tudo que tinha por perto, traziam lápis de cor para saber o que eu via ali. As crianças têm uma noção incrível desse mundo, fazem perguntas com as quais você não conta, movidas por uma curiosidade, uma vontade de compreender o funcionamento de tudo.

Não estava esperando perguntas tão complexas sobre daltonismo. Um menino soltou a clássica: “Como posso saber se o verde que eu vejo é o mesmo que minha professora vê?” Esse tipo de pergunta não era o que estava esperando, é profundo demais, está mais para a área da reflexão. É o tipo de coisa que só conseguiremos saber quando pudermos olhar o mundo, mesmo que por instantes, com os olhos de outra pessoa.

A parte engraçada foi quando uma menina concordou em uma cor comigo, algo que era roxo e falamos que era azul. Pronto, depois de todos concordarem que era azul, só disse para a menina que ela também era daltônica. Ela, por um instante, não sabia se ficava triste ou alegre.

25 Maio 2011

Paredes

Uma vez vi alguém comentando uma maratona, ele usou a expressão "bater na parede" algumas vezes e depois tentou explicá-la. Ele disse que esse é um jargão que os maratonistas usam para dizer quando chegam em um determinado ponto que não dá mais, que suas energias foram para o ralo, nesse ponto ele para ou diminui seu ritmo. Adotei o "bater na parede", uso sempre que desisto de alguma coisa, mesmo depois de lutar tanto por ela. Às vezes acontece como em um jogo, passo por todas as fases, vou eliminando os inimigos um a um, mas quando chego na última porta, naquela que leva ao último desafio, simplesmente desisto. Acho que o desafio já não vale mais a pena, o que me empurrava era apenas o processo, não o resultado. Ultimamente isso tem acontecido com muita frequência, insisto em bater nessa parede, deixo todas as minhas energias pelo caminho. Quando termino algo é praticamente no automático, sem pressa, sem resoluções fantásticas. Essas paredes estão aí, algumas são difíceis de derrubar, às vezes conseguimos quebrá-las e seguimos adiante com muito mais calma.

26 Abril 2011

E o Mario?

No último fim de semana descobri algo incrível, digno de quando soube que a fanta laranja não era amarela, era laranja. No jogo do supermario no Super Nintendo haviam dois tipos de cogumelos, um era uma vida e o outro era para crescimento. Não sabia que eles tinham cores diferentes, achava que eram semelhantes. A surpresa foi descobrir que existe uma diferença de cores entre esses cogumelos, há o verde para vida e o vermelho para crescimento. Toda a infância jogando Mario para nada, sempre achei que haviam lugares com cogumelos com vida, não que eles tinham cores diferentes, acho que isso das cores tem muito sentido, pois haviam algumas fases que era necessário ir com o Mario pequeno. Super Mario é muito Alice, com seus cogumelos, suas inserções no subterrâneo e seus inimigos bizarros. Espero por uma versão de Mario para daltônicos.
P.S. Um amigo acaba de dizer que também existiam tartarugas de casco verde e de casco vermelho. Agora sim, acho que perdi muito do sentido de supermario.
(Essa imagem é de algum dos cafundós do google)