01 Novembro 2009

Frases do que ando lendo

O Clube do Filme, David Gilmour

"Indicar filmes para as pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo enxerga. Então, quando você recomenda com entusiasmo um filme a um amigo, e diz: "Ah, é bom demais, você vai adorar", é uma experiência desconcertante quando você o encontra no dia seguinte e ele diz: "Você achou aquilo engraçado?"

"E então, simplesmente, ele partiu. Pensei: "Bom, ele já tem 19 anos, é assim que funciona. Pelo menos ele sabe que Michael Curtiz filmou dois finais diferentes para Casablanca, para o caso de o final triste não funcionar. Isso provavelmente vai ajudá-lo no mundo lá fora. Ninguém vai poder dizer que deixei meu filho partir indefeso."

"Não dá para ficar com uma mulher com quem você não pode ir ao cinema."

Quem quiser ler uma boa resenha do livro, está aqui.

25 Outubro 2009

Um milhão de pedacinhos

A biblioteca da universidade possui um bom acervo de títulos de literatura, às vezes não quero ler um autor conhecido ou livros que já tenha ouvido falar, então procuro nas seções qualquer coisa que me chame a atenção. Há uma frase que diz que não somos nós que escolhemos os livros, que é justamente o contrário. Com essa aleatoriedade acabei por pegar o livro Um milhão de pedacinhos, do James Frey. Lendo a orelha e a contra-capa descobri que era um livro sobre como foram os dias de um dependente químico de 23 anos, com danos "quase irreversíveis ao seu corpo e mente", em uma clínica de desintoxicação. Não é um livro de auto-ajuda, James Frey não conta uma história, ele conta a sua história, conta a sua vida e como passou algumas semanas sofrendo sem álcool e crack. As figuras que ele encontra nessa clínica são surreais, vão desde um juiz, passando por um ex-campeão mundial de boxe e um conhecido "gângster". Ao fim do livro o narrador nos conta como foi a vida de cada uma dessas pessoas que ele encontra na clínica após seu período de reabilitação, é tudo de uma tragicidade enorme. Segundo dados, apenas 17% dos viciados conseguem se recuperar, convenhamos que é um número muito baixo.
"Assisti a um estúpido vídeo sobre um juiz e me disseram que me ajudaria a melhorar. Vomitei, assim como todo santo dia, e não estou melhorando. Tenho 23 anos, sou alcoólatra há uma década e um viciado e criminoso durante quase o mesmo tempo, sou procurado em três estados, estou num hospital no meio de Minnesota, e quero beber, quero usar umas drogas e não consigo me controlar. Tenho 23. Respiro, estremeço e sinto chegando, e a raiva, a necessidade, a confusão, o arrependimento, o horror, a vergonha e o ódio se fundem em uma fúria perfeita, uma grande, bela, terrrível e perfeita fúria, a fúria, e não consigo parar ou controlar a fúria, só posso deixar que a fúria venha venha venha venha venha."
Um milhão de pedacinhos causou o mesmo efeito que O demônio do meio-dia, do Andrew Solomon, já havia causado em mim, a diferença é que um narra todos os problemas de um universo que desconhecia, do efeito do álcool e das drogas nas pessoas, da dificuldade em abandonar o vício e de como isso afeta suas relações com familiares e amigos, e o outro faz um relato abrangente sobre a depressão.

16 Outubro 2009

Apenas uma história

Dois amigos terminaram com suas respectivas namoradas nos últimos dias. O primeiro já estava quase casando quando descobriu que sua namorada estava "servindo a marmita" para fora. Traições são bem difíceis de serem assimiladas, o namoro chegou ao fim e ele passou alguns dias num estado deplorável, agora já está de volta. O segundo foi "roubado" pela namorada, ela pegou seu cartão e sacou todo dinheiro da conta, terminaram o namoro, ela não devolveu o dinheiro e ficou por isso mesmo. No último domingo perguntei para ambos, separadamente, o que era pior, ser traido ou roubado. Ambos responderam que o pior era perder o dinheiro. É melhor terminar por traição que por dinheiro. As respostas foram muito engraçadas, ao perguntar ao traido:

"É claro que preferi ser traido a perder dinheiro, pensando por esse lado eu me dei bem."

A mesma pergunta ao que perdeu seu dinheiro:

"Não penso duas vezes, preferia ser corno e ainda ter meu dinheiro no banco."

04 Outubro 2009

Não peçam para um daltônico

Que ele compre roupas coloridas.
Que ele jogue futebol com uniforme verde contra outro time de uniforme vermelho.
Que ele desative bombas.
Que ele aperte o botão verde.
Que ele encontre o maldito bloco bege.
Que ele adivinhe a cor da camiseta da criatura mais próxima.
Que ele identifique os tipos de solo: O, A, B, C.
Que ele interprete gráficos coloridos.
Que ele desenhe um mundo em cores que ele não vê.

27 Setembro 2009

Títulos e tal

Não sei como funciona a tradução de títulos para livros no Brasil. Só quero relatar dois "problemas" pelos quais passei nos últimos dias. O primeiro foi ao ler "O Livro dos sonhos" do Jack Kerouac e o segundo foi ao ler "Como ser legal" do Nick Hornby. A situação com o livro dos sonhos foi mais engraçada, uma mulher no ônibus queria que eu encontrasse no livro o que significava sonhar com borboletas amarelas. Pior a minha tentativa de explicar para ela que o livro não se tratava disso, que os textos ali eram algumas viagens do Kerouac, que ia dormir um tanto alto e ao acordar tentava transcrever seus sonhos. Nem precisa dizer o que comentaram comigo ao ler o título do como ser legal, parecia um clássico de auto-ajuda e eu parecia ser mais um desses leitores em busca de soluções para minha misantropia em um livro. Essas situações são engraçadas, mas ainda acho que as pessoas responsáveis pela tradução dos títulos deveriam levar algumas coisas em consideração, desse modo acabam por restringir algumas obras ou limitá-las através de sua capa.

11 Setembro 2009

Fazendo o chimarrão

Durante essa madrugada estava lendo o livro do Jamil Snege (Como eu se fiz por si mesmo) e achei engraçado o trecho em que ele explicava como fazia o chimarrão do chefe:

"Primeiro, coloca-se a água para esquentar. Enquanto isso, a cuia bem lavada, deita-se nela uma quantidade de erva nova até atingir uma altura não superior a dois dedos da borda. Em seguida, inclina-se a cuia na horizontal, com a palma da mão em ângulo reto vedando a fuga da erva. Um leve estremeção ajuda a erva a acomodar-se. Agora, retornar a posição vertical. Após descrever um movimento de 45 graus, retira-se a palma da mão da borda e verifica-se o resultado. Se a operação foi bem sucedida, uma plataforma de erva cobre aproximadamente dois terços da abertura. O terço restante é uma profunda depressão que deve ser inundada lentamente com água fria. Três minutos depois, a erva absorveu toda a água e a chaleira começou a chiar. Aguarde mais alguns segundos e retire a chaleira do fogo. A água nunca deve entrar em ebulição e se tal acontecer é melhor esvaziar a chaleira e começar tudo de novo. Quanto à cuia, ela agora está pronta para receber a bomba. A bomba, você sabe, é uma haste metálica oca, tendo numa das extremidades um bocal semelhante ao do oboé e na outra uma dilatação circular cheia de furinhos. Esta segunda extremidade é que deve mergulhar na cuia e para que façamo-la com perfeição é necessário vedar com o polegar o bocal e acomodar a cabeça de tênia bem no fundo, comprimindo-a contra a parede de erva molhada. Ato contínuo, derrama-se a água quente até o rebordo e está pronta a primeira cuiada. É a pior delas - um caldo espesso, amargo, nem frio nem quente, no qual se agitam milhares de partículas em suspensão. Para não fazer feio, nas rodas de chimarrão o fazedor do mate é obrigado a engolir aquilo. Como você quer somente agradar ao chefe, e está sozinho no fundo de um depósito de materiais de construção, você suga aquela porcaria, cospe, suga novamente, cospe, cada vez que você tira o bocal da boca um fio de baba verde rompe-se e pende, você cospe, e o chão vai se transformando num charco nauseabundo, mas quando você entrega o chimarrão ao chefe - quantinho, nenhum pozinho - você é um bom menino, você faz o melhor chimarrão do mundo."

04 Setembro 2009

E o mundo

É difícil crescer, tornar-se adulto, assumir seu quinhão de responsabilidade e partir em busca do mundo. Esse lugar é grande, viver já exige um bocado de trabalho, construir algo então é como esmurrar pregos. A geração seguinte força sua entrada, a geração anterior não soube planejar a saida, somos como loucos correndo num único espaço, uns sem pressa e outros num ritmo acelerado.