13 Julho 2009

Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?

Assistindo o documentário Loki, sobre a vida do Arnaldo Baptista, comecei a pensar que ele finalmente encontrou sua canção iluminada de Sol. A Rita Lee não deu entrevistas para o documentário, mas mesmo assim a presença dela era constante em quase todas as cenas, como um "fantasma" na vida do Arnaldo. Ouvindo novamente a Balada do Louco, o final daquela canção parece casar perfeitamente com a vida do mutante:
"Sim, sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem diz
E não é feliz, eu sou feliz"
Achou sua paz. Infelizmente o documentário só é exibido em um cinema de Curitiba e, agora, num único horário, quem for ver não irá se arrepender. Detalhe: a Rita era tão bonitinha; outro detalhe é que o vj da mtv, ou ex-vj (aqui em casa não pega esse canal mais, então nem sei) Rafael estava na mesma sessão que a minha e eu não lembrava de onde conhecia aquele cara até pensar no comercial da Sadia.

11 Julho 2009

Ao romance ideal








Às vezes notamos demais, aquele notar clássico, apenas de observador. Com meu notar e minha reta de travessia pela rua XV comecei a me sentir em um filme em que estava acompanhando um desfecho amoroso. A cena começa pelo fim, havia uma mulher chorando em um daqueles bancos logo no começo do calçadão (o fim). Alguns passos adiante havia um casal discutindo em mais um banco (perto do fim), era quase o término da discussão, ela estava com uma expressão pesada e saiu apressada do banco, deixando o cidadão lá. Outros passos adiante, já próximo daquela loja da C&A, havia um casal feliz e mais adiante outros casais felizes (o começo). A minha sensação era de saber um segredo, de saber como aqueles casais felizes iriam terminar (com alguém soluçando num banco e com aquele multidão passando apressada). Nem sempre termina assim; presenciei o fim para depois chegar ao começo, o contrário seria bem pior.

09 Julho 2009

Água

Ouvindo rádio ontem, havia um comercial de uma dessas empresas que comercializam água mineral, a frase que fechava a propaganda era quase isso: "(nome da empresa), a maneira inteligente de beber água." A minha dúvida é quais são as maneiras não inteligentes. Não costumo beber água mineral, isso é uma forma não inteligente? Será que terei muitos problemas bebendo água da minha maneira? Quem cria essas frases é que deveria ser mais inteligente. Da minha parte continuarei usando um copo e a torneira, mesmo perdendo pontos na escala evolutiva (segundo o comercial).

Os filmes

Primeira semana de férias e passo quase todas as noites no cinema, 4 filmes em 5 dias, começamos por segunda-feira:
Katyn: filme sobre o massacre de Katyn, quando cerca de 15 mil poloneses foram mortos pela polícia secreta da União Soviética. Os soviéticos colocavam a culpa nos nazistas e os nazistas nos soviéticos. O filme é arrastado, mas o final é espetacular.
Terça-feira
A Partida: filme japonês, vencedor do oscar de filme estrangeiro desse ano. Filme longo, fica bem mais interessante do meio para o fim.
Quarta-feira
Pausa para a volta da Barbara
Quinta-feira
Vocês, os vivos: esse sim é complicado, são 57 vinhetas divididas ao longo de 94 minutos. No começo parece ser tudo solto, sem nexo, no fim também; brincadeira, gostei bastante dessas vinhetas, principalmente daquela do psiquiatra reclamando de ter de ouvir todos os dias sobre o quanto os seres humanos são mesquinhos e egoístas (ele diz isso de seus pacientes), no começo ele escuta, mas depois de mais de 20 anos ele só receita remédios, cada vez mais fortes, para não ter de ouvir seus pacientes.
Sexta-feira
A Era do gelo 3
Primeiro filme em 3D que assisto (de ocrinho e tudo). Outro daqueles longas sobre família. Acho que o cinema 3D tem muito a evoluir.

30 Junho 2009

Essas portas

Não pude deixar de notar a mudança nos adesivos grudados nas portas dos ligeirinhos e biarticulados de Curitiba. O anterior era algo assim: "Atenção senhores passageiros, esse veículo não tráfega com as portas abertas". O novo é: "Atenção, não encoste na porta". Possuimos uma das passagens mais caras do país e não temos sequer a segurança de o ônibus conseguir manter as portas fechadas durante seu percurso. É impossível não encostar na porta do ônibus em muitos horários, há muita gente. O que realmente querem trocando os adesivos? Está me parecendo que caso ocorra um novo acidente, como aconteceu com o ligeirinho de Araucária, alguém responsável pelo sistema de transportes aparecerá para dar entrevistas e mostrar o adesivo que avisa para não encostarem nas portas; e ainda dirá: "O aviso aqui é claro, todos conseguem vê-lo: não encoste na porta." Parece piada, gasto R$ 2,20 por uma passagem e não tenho sensação de segurança sequer com as portas do ônibus. Não bastasse a voz alertando sobre furtos no interior do veículo (que já adaptei para surtos), agora ela também passará a nos avisar sobre o perigo de encostar nas portas: "Atenção senhores passageiros, não garantimos a segurança das portas desse ônibus, por favor, não encoste nelas." Semana passada estava ali encostado na porta do Inter 2 quando entraram duas meninas e não tinha jeito de irem para outro lugar, ficaram por ali também, em poucos segundos uma senhora olhou para lá e comentou: "Ei, meninas, não fiquem aí, olha o aviso, não encoste na porta, você não viu que agora esses ônibus dão de abrir a porta sem motivo, já morreu até gente." Não sei o que é mais barato, fazer a revisão da segurança das portas dos ônibus ou investir em adesivos; é com esse tipo de descaso que os responsáveis pelo transporte coletivo tratam os usuários.

Cem anos de solidão

Há um sonho do patriarca da família Buendía, um sonho que José Arcadio tinha repetidas vezes perto da morte. O sonho dos quartos infinitos, ele sonhava que ao se levantar da cama, abria a porta e passava para outro quarto igual, com a mesma cama, poltrona e o quadro na parede. Desse quarto passava para outro exatamente igual, e, em seguida, para outro exatamente igual, até o infinito. Ele ia de quarto em quarto até que o homem que ele matou tocava em seu ombro. Então voltava de quarto em quarto, acordando para trás, fazendo o caminho inverso, e encontrava esse homem no quarto da realidade. Esse trecho é uma metáfora de retrocesso, dessa volta imaginária. O ponto em que quero chegar é que tive um sonho parecido, só que os quartos não tinham paredes, eram de vidros. Em Cem anos de solidão a história parece estar sempre se repetindo, alguns anos depois o filho do José Arcadio começa a ter um mesmo sonho seguidas vezes pouco antes da morte, um sonho que ele não poderia recordar ao acordar, porque aquele sonho tinha a virtude de não ser recordado a não ser dentro do próprio sonho. O Coronel Aureliano Buendía recordaria o sonho só no dia de sua morte, esse sonho era sobre o circo, sobre o desfile desses personagens do circo, após o desfile só sobra o Coronel e ele observa a cara de sua miserável solidão. Espero não voltar a sonhar com o quarto de vidro, pois no livro era o prenúncio de algo trágico, como morrer urinando na castanheira.

Piadinha interna: a capital do Mato Grosso é Campo Grande. Revidei. Essas pessoas que nasceram no Mato Grosso do Norte, viu.

27 Junho 2009

Sexta

Noites de sextas-feiras frias e chuvosas de Curitiba têm cheiro de cachorro-quente.